Os textos desta secção refletem as opiniões e análises dos/as autores/as

Compreender o Islamismo em Poucas Linhas 

Quando me apresento perante desconhecidos e assumo que sou muçulmano, uma das perguntas que surge é a seguinte:

-“és da religião dos terroristas, aqueles que colocam bombas?”. 

Pergunto logo: 

-“o quê???…”

E começo a explicar, dizendo: 

-“não é nada disso que estás a falar e do que estão a pensar. O Islamismo é uma religião monoteísta, cujos fundamentos se baseiam na existência de um único Deus (Allah​ )​ e nos ensinamentos do último profeta e mensageiro Maomé (Mohamad​ Sallallahu Aleihi WassAllam). A religião possuí vários princípios entre os quais, a submissão voluntária a

Deus (Allah), o respeito ao próximo, o cumprimento dos cinco pilares que são: Fé –Chahada-​ (rezar e aceitar o credo); Oração –​ Saláh​- (orar cinco vezes ao longo do dia voltado em direção à Meca); Jejum –Ramadan​ – (privação​ de comidas, bebidas, relações sexuais e outras privações durante o nono mês do​ calendário islâmico); Caridade –Zakat-​ (doar dinheiro ou outros bens aos mais necessitados); e Peregrinação –Hajj​ -​ (fazer peregrinação à Meca pelo menos uma vez na vida, se tiver condições físicas). Quem professa a religião islâmica é chamado de Muçulmano (Muslim) e o livro sagrado é Alcorão (Alcurân​ )​ .” 

Depois desta explicação, deixo claro que uma coisa é a religião, outra coisa são os fundamentalistas que procuram aterrorizar e matar pessoas, e nada se compara aos princípios que mantém o islamismo de pé até aos dias de hoje, porque o Islão não incentiva ações que põe em causa vida de outra pessoa. 

Mamadu Alimo Djaló 
(Cozinheiro, Sociólogo e Poeta)
 

Em toda a diáspora africana, principalmente no Brasil, em Cuba e no Haiti, espaços de preservação e manutenção da espiritualidade foram criado com a principal finalidade de reconectar o indivíduo à Terra Mãe (África) e manter viva a identidade cultural e sua história. No Brasil, esses espaços são conhecidos popularmente como Terreiros de Candomblé – a palavra seria uma modificação fonética de “Candobé”, um tipo de atabaque usado pelos angolanos. As religiões de matriz africana preservam a memória e identidade dos antigos Reinos Africanos; seus descendentes foram obrigados a se despir dessa identidade, para poder satisfazer o sistema ocidental. A manutenção desse legado ainda hoje é alvo de perseguição, ataques e morte, existindo uma verdadeira guerra pelo direito de liberdade de culto. A educação, em suas mais variadas vertentes, se torna indispensável para, através do conhecimento, proporcionar uma sociedade que respeite a diversidade religiosa e exalte a sua importância para a humanidade.

Babá Pedro de Lògún

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